O amante!

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O AMANTE !
José Geraldo Martinez 
 
 
Eu te espero, senhora,
Devasso, louco e santo,
Com minhas tantas auroras
despertas com meu pranto!
 
Sou, de ti, amante!
Aquele que guardas secreto,
no coração…
Sou para muitos, um errante,
vendedor de pura ilusão!
 
Mas, o que há de ser a vida ,
Se não um grande picadeiro
circense…
O que há de ser o corpo que te entrego,
Se amanhã a morte o leva, de repente,
Como há de levar teu gozo…
Teus murmúrios e gemidos!
O teu trajar glamuroso,
a esconder teus seios atrevidos…
 
E, por que choro, em tantas auroras?
É por ti, cujo mundo cobra tanta postura!
Quando te lembras, vais embora…
Em tua via-crucis, à clausura!
 
E, não voltarão os minutos desperdiçados,
Nos momentos de nossa separação!
Apenas as lembranças de nossos corpos suados,
entregues ao frescor do chão…
 
Ainda que tu não saibas,
seremos de toda uma sociedade,
os culpados!
Mesmo que tu não creias,
Por estes homens julgados!
 
Se ainda duvidas,
cuidado!
Neste século, ainda dos brutos,
Apedrejados!
 
Ainda assim eu te espero,
em minhas auroras perdidas…
Apesar da tua inconstante presença!
És tu, afinal, que o santo profana
e teu corpo o amante,
reinventa!