E Ele por amor te fez justo para mim…
E ela por e para teu amor nascera…
Alejandro J. V. Lima
Milamarian
Anjo, feita por e para mim, tua imagem e semelhança
misteriosa deusa, gueixa delicada, Eva na tua perfeição
o que um homem sonha ter, entre milagre e esperança
amor, paixão, doçura e beleza…obra de arte da criação.
E nascera ela, sonhando sonhos de estrela qual criança
pincel nos céus, arco-íris de amor em brumas de algodão
onde o guerreiro à espera deitaria o leque junto à lança
e no firmamento, lua e sol, duas cadentes, uma oração.
Tomou a tinta azul céu na frescura pura do amanhecer
para desenhar o esboço de teu lindo corpo de mulher
analisando o que nos meus desejos queria eu poder ter
e te fez a imagem e semelhança do que agora posso ver.
Sorrira o sorriso do poente, seria orvalho no alvorecer
para os olhos dele, a seiva e sementes poder absorver.
Num delineio seria a curva em um só arco a percorrer
e ele, nos côncavos e convexos deitar e permanecer.
Tomou das suaves brisas a calidez que chegou do leste
para desenhar teu coração com uma mistura de oriente
e que tua alma doce fosse qual manancial de uma fonte
assim entre teu mundo e o meu, unir ambos numa ponte.
Incensara o perfume e o vermelho da flor e do cipreste
adocicados nos verdes campos onde o sol se esconde
e do alto da serra recolhera então o amarelo horizonte
para entregar assim a ele, o norte-sul, de leste a oeste.
Tomou das brancas nuvens o mais puro para desenhar
o alegre e meigo sorriso, tal á forma que terias de amar
de seus veios o vermelho diluído em mel para tua boca
e do sol fez a tua pele, que todos vem mas ninguém toca.
Sorvera cada gota, cada nota daquelas acácias a cantar
a melodia que ensinasse a ela, somente a ele conjugar
um verbo e um só nome forrando em néctar a redoma
onde seus cálices transbordariam da madeira o aroma.
Tomou o brilho das estrelas para iluminar teus belos olhos
para a frescura da tua face, os raios da lua cheia e sem fim
e da noite o negro obscuro em teu cabelo qual meus sonhos
para que assim ficasses criada e feita justamente para mim.
Vestira o véu de seda e o canto solto daquele rouxinol
pois dele ela seria, de alma nua, limpa e transparente
e em cada noite e dia, entre dois sustenidos e um bemol
tão somente daquele, senhor e dono de suas vertentes.