Archive for the Tereza da Praia Category

Amor desfeito

Posted in Tereza da Praia on janeiro 9, 2008 by sabrinabenites
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Amor desfeito
Tereza da Praia
O quarto vazio me contempla.
A cama desfeita me provoca.
O teu cheiro no ar enlouquece-me.
Em mim, um desejo desvairado.
Procuro teu corpo amante,
Querendo te-lo ao meu lado.
Corpo depositário do meu carinho,
Do meu desejo de mulher.
Lugar onde fiz  meu ninho.
Onde tua curiosidade de menino
Descobriu-me os segredos,
Exorcizou-me os medos.
Não  agradeço  o que me destes,
Nem maldigo o que tomastes
O que recolhestes de mim,
O que colhestes enfim
O que semeastes no meu jardim.
Talvez te agradeça o corpo
Que me davas sem reservas,
Em nossas orgias loucas,
Quando ofegantes, em gritos roucos,
Chegávamos ao êxtase da paixão…
Talvez um dia te agradeça
Mas hoje…
Hoje, ainda, não!

Salto para o infinito

Posted in Tereza da Praia on dezembro 30, 2007 by sabrinabenites
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SALTO PARA O INFINITO
Tereza da Praia
E voavas no céu azul,
Tão longe de casa
Seguindo para o lado sul,
Davas imaginação as tuas asas.
Fugindo das maldades deste mundo
Voavas, como Icaro, a caminho do sol
Voavas alto, muito alto, no céu profundo.
 Estavas encantado com as cores do arrebol
Que nem percebeste que, naquele momento,
O teu salto era para o infinito;
Para por um ponto final
Neste casulo carnal.
Libertar-te, rumo a grande felicidade.
Transformar-te no eterno
E foste, nosso amigo fraterno,
Ao teu grande encontro com infinito,
Deixando deste mundo o conflito
Partiste, num salto feliz no claro.
Não foi um salto louco no escuro.
Foi um salto lindo, um salto raro.
Um salto consciente para os braços do Pai
Para o encontro da verdade maior
Imagino-te agora
Corpo leve, solto.
Espírito livre, indo embora,
Envolto em plumagens de anjo
Compreendendo que não precisavas
Mais de artefato humano pra voar
Voando… voando… Anjos e arcanjos
Acompanhando-te neste vôo de volta ao lar.
Não…
Nós não vamos chorar…
Seria mesquinho chorar,
Quando foste ao encontro da felicidade maior.
Quando foste para os braços do verdadeiro amor.
Foste encontrar a natureza verdadeira.
Mas vamos sentir saudades.
Saudades tantas
E todas as vezes que olharmos o azul do céu
Com nuvens brancas, feito de virgem o véu.
Sorriremos
E diremos: “Lá está ele, voando…”.
Nos acompanhando.”
E vamos ver no céu uma nova estrela
Que surgiu desde ontem
Uma nova nuvem clara, feito algodão doce.
E temos enorme orgulho
De ter-te conhecido, amigo…
E agradeceremos mil vezes
Ao criador
A graça do tempo que estivemos em tua companhia.
Agora és um anjo, leve e solto,
Em claridade, envolto.
Espargindo em nós doce perfume de saudade
Suave brisa de melancolia
E o forte aroma de seu exemplo
De integridade, amizade, cordialidade,
Coragem e amorosidade.
Rezamos para que sejamos consolados
Quando apertar a saudade.
E para que jamais apague de nossos lábios o sorriso,
Mesmo quando tua falta doer, feito açoite
Nas escuras noites.
Tu fizeste teu vôo solo rumo ao infinito,
Deixou-nos a saudade…
Prosseguiremos, em tua homenagem, sonhando,
Fazendo nossos vôos, dando os nossos saltos…
Com a certeza que nos encontraremos um dia…